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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pais criticam política educativa do governo

O jornal i falou com 45 pais e quase todos consideram desastrosa a prestação do governo na área da educação.

Dois exemplos:

«"O estatuto do aluno é um desastre e uma ofensa aos alunos cumpridores. Valores e atitudes como o trabalho, o mérito, a assiduidade, o comportamento, a aprendizagem, o conhecimento, foram postos em causa e de repente considerados antiquados e conservadores", diz Manuel Marques, economista nas Caldas da Rainha, pai de um aluno matriculado no 8º ano. "O estatuto do aluno privilegia o facilitismo e desresponsabiliza os alunos", acrescenta Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).»

«"Coube à professora da minha filha avaliar os outros professores da escola. Ela faltou três tardes inteiras. Se todos os professores tivessem de ser avaliados nos moldes em que se pretendia, teria de faltar 40 horas. Não é assim que uma avaliação deve ser feita", critica Paula Henriques.»

Como já foi dito em post anterior, Maria de Lurdes Rodrigues foi a ministra da barbárie.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A arte do eufemismo

Quando Sócrates, no comício (aquilo não foi de todo uma entrevista) que deu na RTP ontem à noite, admitiu que "talvez não tivesse havido suficiente delicadeza no tratamento com os professores" proferiu um enorme eufemismo.

Mas a ministra da Educação conseguiu ir mais longe na arte do eufemismo ao descrever o que se passou nos últimos quatro anos com a expressão “problemas de comunicação entre Governo e professores”.

E, segundo se pode ler aqui, claro que “não viu uma crítica ao seu trabalho nas declarações do primeiro-ministro”. Suponho que o facto de últimos tempos se sucederem as declarações de personalidades do PS com críticas à sua acção, lamentando inclusivamente que Sócrates não a tivesse afastado, não deve passar de um “problema de comunicação”.

Não há dúvida que a falta de franqueza da ministra ombreia com a sua falta de habilidade política.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O facilitismo educativo promove a desigualdade e a exclusão social

Vale a pena ler a opinião de João Cardoso Rosas (Professor de Teoria Política) no jornal i. Tem um título que começa a ser politicamente incorrecto: “Mais valia reprovar”.

Um excerto para abrir o apetite:

“Na situação a que as políticas da escola inclusiva conduziram o sistema educativo, ele deixou de ser um trampolim para os desfavorecidos pela lotaria social. Pelo contrário, a inclusividade da escola levou as classes altas e médias a trocar o sistema público pelo privado ao nível da educação pré-universitária. O resultado final deste processo é um típico efeito perverso: a transformação da escola pública, que pretendia promover a inclusão, num factor de exclusão social.”

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O homem que não mordeu o cão

No jornalismo existe um velho adágio que diz: “Um cão morder um homem não é notícia. Notícia é quando um homem morde um cão.”

Nessa óptica, isto que se lê no Público não é uma notícia: “A ministra da Educação rejeitou hoje que tenha existido facilitismo para melhorar as taxas de abandono e retenção escolar”.

Notícia seria a ministra reconhecer que promoveu o facilitismo - no Ensino Básico e no Ensino Secundário, nomeadamente (mas não só) nos exames nacionais – e que essa é uma das razões pelas quais é uma péssima ministra da Educação. (A propósito do facilitismo ver aqui e aqui.)

Uma das razões, mas obviamente não a única. É preciso não esquecer o modo desastroso como conduziu o processo da avaliação dos professores.

Infelizmente, o que ela disse é apenas mais do mesmo – a continuação da mentira que anda a dizer desde que é ministra.

Com a verdade nos tentas enganar, Governo

Segundo o jornal Público, “a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje que os resultados escolares do ano lectivo 2008/2009 revelam uma 'redução para metade do abandono e insucesso escolar' nos últimos anos.”

Esses números certamente que existem, escritos em papéis. Não é aí que reside a mentira. A mentira reside nos mecanismos que permitem chegar a esses números.

"Atribuo a medidas como os planos de recuperação, os cursos de educação e formação, generalização de currículos alternativos, o maior tempo de trabalho dos professores com os alunos, mas também a estratégias que foram desenvolvidas pelas escolas de ir buscar os alunos ao abandono", afirmou a ministra.

O que se passa é que esses planos de recuperação, cursos profissionalizantes e currículos alternativos são pouco mais do que formas de institucionalizar o facilitismo. Os alunos que deles “beneficiam” não aprendem realmente mais. Acontece apenas que os programas e os critérios de avaliação, devido a orientações emanadas do Ministérios de Educação, permitem que os alunos passem sem aprender. Dizer que se trata de passagens administrativas não é exagero.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Watergate à portuguesa ou estarão todos a fazer campanha a favor da abstenção?

conversa fiada

«A Presidência da República recusou ontem tecer qualquer comentário público às suspeitas avançadas por um dos seus membros da Casa Civil, mas também não as desmentiu. As suspeitas apontam para o facto de o Governo, ou o PS, estarem a vigiar os seus serviços e assessores. Já o primeiro-ministro, José Sócrates, começou por recusar falar sobre o assunto, mas acabou por alegar não poder "perder tempo a comentar disparates de Verão".» Ler mais aqui e aqui.

Ontem ouvi alguém, sentado na mesa ao lado de uma esplanada, dizer o seguinte acerca deste caso: “Estes gajos... É só Blá! Blá! Blá!” E a conversa derivou para o futebol.

Não sei se alguém foi ou não vigiado. Mas não faz sentido alguém da Presidência dizer que isso aconteceu e depois não dizer mais nada e não tirar consequências. E faz ainda menos sentido, face à gravidade das suspeitas, o Governo e o PS limitarem-se a emitir umas graçolas sobre o assunto.

Não faz sentido, porque, além de não permitir apurar a verdade, contribui para descredibilizar ainda mais os políticos. Quem perde é a democracia e, por isso, o país.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sociedade do conhecimento ou república das bananas?

“Presidência da República teme estar a ser vigiada”. Palavras para quê? É Portugal, no Ano da Graça de 2009. A poucas semanas das eleições - vale a pena acrescentar.

Leia a notícia toda aqui. Os pormenores não são exaltantes. Para falar verdade, são sórdidos.

É impressão minha ou as novas tecnologias, para não falar da democracia e das eleições, podiam servir para fazer coisas muito melhores?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Velhas oportunidades

“José Sócrates acabou o curso a um domingo”, recorda o jornal i – que classifica o feito como um dos “Escândalos da Democracia”.

Mesmo que não se consiga provar que houve ilegalidades no processo, é óbvio que houve pelo menos algumas facilidades pouco éticas.

Haverá alguma relação entre esse caso e o modo como este governo tratou os professores? Claro que não! Em política o “faz o que eu digo e finge que não vês o que eu faço” é um princípio sagrado.

domingo, 16 de agosto de 2009

Empresas públicas pouco… públicas!

Por falar em avaliação dos professores… E se estas práticas administrativas e políticas (sim, políticas) fossem avaliadas? Não chegariam certamente ao Suficiente. Gostava de acreditar que nas próximas eleições essa avaliação será feita, mas...

Vem isto a propósito desta notícia do jornal Público: “a empresa pública criada, em 2007, para desenvolver as obras de transformação das escolas secundárias portuguesas já gastou mais de 20 milhões de euros em projectos de arquitectura que foram adjudicados por convite directo, sem consulta a terceiros nem publicitação dos contratados.”

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Quem se mete com o Governo leva!

João Lobo Antunes “João Lobo Antunes não foi reconduzido pelo Governo ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida”, segundo noticiam o Jornal Público e o jornal i. O que contraria um compromisso que José Sócrates, segundo dizem esses jornais, terá assumido com o Presidente da República.

Para que se saiba, João Lobo Antunes (professor de Medicina, neurocirurgião de fama mundial, autor de diversos livros onde revela uma enorme cultura científica e humanística, bem como uma acutilante capacidade reflexiva) tem emitido opiniões criticas relativamente a alguns aspectos da governação socialista – nomeadamente acerca da política educativa. (A esse respeito veja, por exemplo, aqui.)

Como membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida redigiu um parecer, juntamente com Daniel Serrão, onde lançou muitas críticas a um projecto-lei socialista sobre o “testamento vital”.

Por isso, apesar da sua inegável competência, João Lobo Antunes foi vítima da intolerância e sectarismo do governo – que, como mais uma vez se comprova, não sabe lidar com pessoas livres e com espírito crítico. “Quem se mete com o PS leva”, disse uma vez Jorge Coelho. Quem duvida?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Se as leis forem uma teia confusa os cidadãos conseguirão respeitá-las?

Os velhos gregos orgulhavam-se de obedecer a leis e não a homens e desdenhavam os persas, que tinham de obedecer à vontade caprichosa de um homem – o rei.

Mas poderá alguém valorizar tanto o império da lei se viver num país como Portugal?

Em Portugal, as leis estão sempre a mudar (sem que muitas vezes se perceba o motivo e a utilidade da mudança). Em Portugal, muitas vezes as leis que mudam são incompatíveis com as leis que não mudam. Em Portugal, o conjunto das leis constitui um labirinto confuso que atrapalha até os melhores juristas. Em Portugal, as leis são tão opacas e difíceis de interpretar que, mesmo as pessoas mais crédulas e optimistas, são levadas a pensar que os detentores do poder fazem essas leis em seu benefício e querem enganar o povo. “Eles são todos iguais”, “Eles querem é servir-se”, são duas frases muito ouvidas em Portugal acerca dos responsáveis políticos – independentemente do partido que ganhou as últimas eleições.

Em Portugal, existem situações inacreditáveis como esta: um decreto-lei contraria uma norma juridicamente superior (por culpa do governo), mas o Tribunal Constitucional (que fiscaliza o respeito pela Constituição, pela lei das leis) considera que nada tem a dizer em relação a isso, pois (de acordo com a notícia do jornal Público) a “eventual contradição entre um regulamento e uma lei é um problema de mera ilegalidade e não de constitucionalidade”.

Trata-se do cúmulo do formalismo! Se é assim, de que serve ter uma Constituição? Se as pessoas que têm a responsabilidade principal na defesa da lei e do valor da lei (ou, por outras palavras, do Estado de Direito) se perdem em subtilezas estéreis e opacas e em formalismos vazios, será de admirar que as outras pessoas (que não são especialistas) comecem a duvidar do valor dessa lei?

Como democrata, espero que isso não contribua para que um dia destes muitas pessoas achem mais seguro meter a democracia na gaveta e obedecer a um chefe qualquer em vez de à lei!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Os alunos externos são extraterrestres ou são alunos portugueses?

A notícia do jornal Público começa assim: «Uma hecatombe. Todos os exames do ensino secundário mais concorridos tiveram média negativa na segunda fase, mostram os resultados divulgados hoje.»

Mas para os lúcidos responsáveis do ME não há motivos de preocupação: «O Ministério da Educação atribui esta queda ao facto de nesta fase o "peso dos alunos externos" ser maior e por isso pesar mais "na determinação do sentido positivo ou negativo da média geral".»

Claro que faz sentido analisar a influência dos alunos externos nas classificações. Mas já faz menos sentido o Ministério desresponsabilizar-se dos resultados dos alunos externos. Será que esses alunos nunca passaram pelos bancos das escolas portuguesas? E, já agora, porque é que há tantos alunos externos?

Seja como for, esse género de análises (além das diferenças entre alunos internos e externos, também faz sentido analisar as diferenças entre a 1ª fase e a 2ª fase, entre o actual ano lectivo e os anos anteriores, entre os resultados das diversas disciplinas, etc.) incide sobre aspectos particulares e a circunstância do seu resultado ser mais positivo ou mais negativo não anula este facto: se os exames não são escandalosamente fáceis os resultados são maus.

Pois é: a expressão “os lúcidos responsáveis do ME” que utilizei algumas linhas atrás era irónica!

(Relativamente a este tema escrevi também aqui, com direito a comentários anónimos dos defensores fanáticos do governo.)

domingo, 26 de julho de 2009

Ping-pong politiqueiro

A acusa B, C (amigo de B) acusa A e nega a sua acusação, B nega a acusação - "Eu?? Claro que não!" - e também acusa A. Qual será a reacção de A?

Pois bem, A nega as negações e considera que elas comprovam a acusação!

Qual será a reacção de B e C à reacção de A? Esperam-se novas jogadas a qualquer momento. Isto promete…

Veja aqui os detalhes das primeiras jogadas e aqui os detalhes da mais recente.

A cada nova jogada deste monótono ping-pong politiqueiro (reservemos a palavra “político” para actos mais nobres) a abstenção eleitoral cresce um bocadinho.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Coitados! Assim já não terão excelente nem se tornarão deputados titulares!

“Durante os quatro anos e meio desta legislatura, em que se realizaram 464 reuniões plenárias, os deputados deram mais de 6600 faltas.”

(Clique aqui para ler mais.)

Se as leis que os deputados aprovaram (não digo criaram, pois a grande maioria deles não criou nada e limitou-se a votar de acordo com as ordens recebidas) acerca dos professores (Estatuto da carreira Docente e Avaliação do Desempenho) lhes fossem aplicadas, o que sucederia aos seus mandatos e às suas carreiras políticas? E, já agora, o que sucederia às suas reformas?

Pois é: há dois pesos e duas medidas!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Não pensem que é caso único!

Escola de Darque passou um aluno com nove negativas e garante que foi a melhor solução…

“Negativa a Língua Portuguesa, a História e a Matemática. Negativa também a Geografia, a Físico-Química, a Educação Visual... Feitas as contas, José, chamemos-lhe assim, teve nove negativas em 14 "cadeiras". Tem 15 anos, está no 8.º ano do ensino básico. E a escola passou-o.”

(Notícia do jornal Público. Clique aqui para ler mais.)

Parece mentira mas é verdade. E, como qualquer professor sabe, não é caso único. Há muitos outros casos em Portugal e em todos eles o resultado é semelhante: quando acabam as "ajudas" e o facilitismo, esses alunos reprovam.

De quem é a responsabilidade?

A responsbilidade é, em primeiro lugar, do Ministério da Educação, que faz leis que permitem e até incentivam essa permissividade.

Mas a responsabilidade é também dos professores. Dos professores que ocupam cargos nos órgãos dirigentes das escolas, pois são frequentemente mais papistas que o Papa e inventam regras específicas ainda mais permissivas (e muito diferentes de escola para escola, o que põe em causa o princípio constitucional da igualdade perante a lei) que a lei geral. E também de muitos (e não todos, claro) dos outros professores, que têm medo de ser rigorosos e exigentes na avaliação.

Os professores sabem que as coisas se passam assim e que os primeiros prejudicados são os alunos que se pretende, supostamente, ajudar. Mas as outras pessoas saberão?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Como se chegou a este ponto?

“Fenprof exige suspensão da avaliação ou ausência de consequências para docentes”.

Nalguns comentários a essa notícia do jornal Público pode ler-se que os professores são todos uns incompetentes e preguiçosos, que querem trabalhar pouco e não ser avaliados. Trata-se, como é óbvio, de uma generalização grosseira.

Não se pode falar assim. Há cerca de 140 mil professores em Portugal e muitos (mas todos, infelizmente) são empenhados e competentes. Muitos querem ser realmente avaliados.

Seja como for, os professores (individualmente e em grupo, através das associações e sindicatos), deviam reflectir acerca dessa má opinião que muitas pessoas em Portugal têm dos professores. Como se chegou a este ponto?

Talvez essa reflexão pudesse contribuir para clarificar, e até resolver, alguns dos problema da educação, nomeadamente o problema da avaliação dos professores. Que não é, infelizmente, o nosso pior problema.

domingo, 19 de julho de 2009

Políticas educativas: todas diferentes, todas demasiado iguais!

No blogue de Rerum Natura, a pedagoga Helena Damião escreveu um excelente texto (“Poderia o nosso ministério da Educação ser diferente?”)acerca do facto dos vários partidos políticos portugueses partilharem diversas ideias erradas sobre a educação e não serem capazes de defender outras ideias melhores, por terem a sua impopularidade. As perguntas feitas no excerto abaixo apresentado têm todas a mesma resposta: nenhum.

Infelizmente não são só os partidos políticos a pensar assim. Os 25 subscritores do manifesto “O nosso presente e o nosso futuro: algumas questões prementes” não se desviam muito dessa linha, como se percebe lendo as páginas educadas à educação. Embora incluam algumas questões e propostas pertinentes face ao descalabro que foram as medidas deste governo, não rompem com o modo de pensar descrito por Helena Damião. Ora, os 25 cidadãos que subscreveram o documento dizem-se – segundo o jornal Público - independentes, pelo que nem podem alegar o medo das represálias eleitorais…

“Que partido teria coragem de defender que o ensino, mais do que respeitar os interesses e as necessidades dos alunos ao ponto de os tomar como metas educativas, deve modificá-los no sentido do que é assumido como educação desejável? Que a aprendizagem direccionada (só) para o quotidiano social, cultural, étnico dos alunos, descuidando as suas potencialidades cognitivas, empobrece-os intelectualmente; que a aprendizagem cooperativa, de projecto, de pesquisa não pode nem deve substituir o ensino estruturado; que não há garantias que as tecnologias da informação e da comunicação constituam uma grande ou pequena revolução pedagógica; que, por princípio, os encarregados de educação e pais não se devem pronunciar em matéria de ensino formal, pois este constitui uma actividade técnica que só os professores dominam com a competência de especialistas; que as actividades lúdicas e as actividades formais devem estar devidamente separadas e sequenciadas no espaço e tempo escolares; que a noção de escola inclusiva levanta as maiores dúvidas, do ponto de vista de desenvolvimento daqueles que mais dificuldades têm; que as crianças e jovens não devem, em circunstância alguma, avaliar os professores; que a escola a tempo inteiro acarreta problemas dos quais ainda mal conhecemos os contornos; que as câmaras de vigilância nos recreios, em substituição de pessoas, não educam; que o conhecimento tem valor e que a escola não o deve dispensar ou aligeirar em nome seja do que for; que todos os sujeitos têm direito a uma educação elitista, mesmo aqueles que seguem vias profissionalizantes?”

sexta-feira, 17 de julho de 2009

É preciso reconhecer: isto não é eleitoralismo!

A ministra da educação e a sua equipa talvez não vivam no mesmo país que nós. Ou, então, vivem, mas estão tão convictos das suas ideias que dispensam a realidade. Senão repare nesta notícia:

“Aplicar exactamente o mesmo modelo de avaliação que esteve em vigor desde Janeiro. Ou seja, uma versão simplificada do que inicialmente foi aprovado pelo Governo. É esta, no essencial, a proposta que a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues tinha para anunciar aos sindicatos que hoje estiveram reunidos com a governante, em Lisboa.”

Seja como for, há um elogio que não devemos negar à equipa ministerial: não estão a fazer uma política eleitoralista! É que estas atordoadas custam votos!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O respeitinho é muito bonito – vocês foram avisados!

O jornal Público deu-nos hoje a conhecer esta vergonha:

Primeira escola a concluir avaliação vai penalizar docentes que não entregaram objectivos individuais.

Ou seja:

“A Escola Secundária de Odivelas terá sido a primeira escola do país a concluir o processo de avaliação de desempenho dos professores. E a primeira a tomar uma decisão sobre o que fazer com os professores que não entregaram os objectivos individuais: não avaliá-los. (…) Um professor que não seja avaliado não progride na carreira e é prejudicado do ponto de vista salarial.”

Há poucos meses atrás este governo falava de valorização da carreira docente, de reforçar o estatuto e a autoridade dos professores. Como não foi no dia 1 de Abril que disseram isso, conclui-se que…

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Saber pôr as culpas é uma arte pouco subtil!

culpa

De acordo com a ministra de educação, Maria de Lurdes Rodrigues,  e com o secretário de estado, Valter Lemos, a descida dos resultados no exame de Matemática tem os seguintes culpados: a comunicação social,  a Sociedade Portuguesa de Matemática e alguns “partidos e pessoas com responsabilidades políticas”. E porquê? Porque disseram que os exames eram fáceis e isso fez com que os alunos não estudassem.

Estas declarações já têm 3 dias e já foram por isso devidamente analisadas e, como merecem, criticadas e ridicularizadas.

Faltava apenas identificar a fonte inspiradora de Maria de Lurdes Rodrigues e de Valter Lemos. E aí está, descobri agora mesmo na Net: Homer Simpson, que tem  óbvias afinidades intelectuais com essas personagens da tragédia em que se tornou a Educação em Portugal.