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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pais criticam política educativa do governo

O jornal i falou com 45 pais e quase todos consideram desastrosa a prestação do governo na área da educação.

Dois exemplos:

«"O estatuto do aluno é um desastre e uma ofensa aos alunos cumpridores. Valores e atitudes como o trabalho, o mérito, a assiduidade, o comportamento, a aprendizagem, o conhecimento, foram postos em causa e de repente considerados antiquados e conservadores", diz Manuel Marques, economista nas Caldas da Rainha, pai de um aluno matriculado no 8º ano. "O estatuto do aluno privilegia o facilitismo e desresponsabiliza os alunos", acrescenta Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).»

«"Coube à professora da minha filha avaliar os outros professores da escola. Ela faltou três tardes inteiras. Se todos os professores tivessem de ser avaliados nos moldes em que se pretendia, teria de faltar 40 horas. Não é assim que uma avaliação deve ser feita", critica Paula Henriques.»

Como já foi dito em post anterior, Maria de Lurdes Rodrigues foi a ministra da barbárie.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Velhas oportunidades

“José Sócrates acabou o curso a um domingo”, recorda o jornal i – que classifica o feito como um dos “Escândalos da Democracia”.

Mesmo que não se consiga provar que houve ilegalidades no processo, é óbvio que houve pelo menos algumas facilidades pouco éticas.

Haverá alguma relação entre esse caso e o modo como este governo tratou os professores? Claro que não! Em política o “faz o que eu digo e finge que não vês o que eu faço” é um princípio sagrado.

domingo, 16 de agosto de 2009

Empresas públicas pouco… públicas!

Por falar em avaliação dos professores… E se estas práticas administrativas e políticas (sim, políticas) fossem avaliadas? Não chegariam certamente ao Suficiente. Gostava de acreditar que nas próximas eleições essa avaliação será feita, mas...

Vem isto a propósito desta notícia do jornal Público: “a empresa pública criada, em 2007, para desenvolver as obras de transformação das escolas secundárias portuguesas já gastou mais de 20 milhões de euros em projectos de arquitectura que foram adjudicados por convite directo, sem consulta a terceiros nem publicitação dos contratados.”

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Se as leis forem uma teia confusa os cidadãos conseguirão respeitá-las?

Os velhos gregos orgulhavam-se de obedecer a leis e não a homens e desdenhavam os persas, que tinham de obedecer à vontade caprichosa de um homem – o rei.

Mas poderá alguém valorizar tanto o império da lei se viver num país como Portugal?

Em Portugal, as leis estão sempre a mudar (sem que muitas vezes se perceba o motivo e a utilidade da mudança). Em Portugal, muitas vezes as leis que mudam são incompatíveis com as leis que não mudam. Em Portugal, o conjunto das leis constitui um labirinto confuso que atrapalha até os melhores juristas. Em Portugal, as leis são tão opacas e difíceis de interpretar que, mesmo as pessoas mais crédulas e optimistas, são levadas a pensar que os detentores do poder fazem essas leis em seu benefício e querem enganar o povo. “Eles são todos iguais”, “Eles querem é servir-se”, são duas frases muito ouvidas em Portugal acerca dos responsáveis políticos – independentemente do partido que ganhou as últimas eleições.

Em Portugal, existem situações inacreditáveis como esta: um decreto-lei contraria uma norma juridicamente superior (por culpa do governo), mas o Tribunal Constitucional (que fiscaliza o respeito pela Constituição, pela lei das leis) considera que nada tem a dizer em relação a isso, pois (de acordo com a notícia do jornal Público) a “eventual contradição entre um regulamento e uma lei é um problema de mera ilegalidade e não de constitucionalidade”.

Trata-se do cúmulo do formalismo! Se é assim, de que serve ter uma Constituição? Se as pessoas que têm a responsabilidade principal na defesa da lei e do valor da lei (ou, por outras palavras, do Estado de Direito) se perdem em subtilezas estéreis e opacas e em formalismos vazios, será de admirar que as outras pessoas (que não são especialistas) comecem a duvidar do valor dessa lei?

Como democrata, espero que isso não contribua para que um dia destes muitas pessoas achem mais seguro meter a democracia na gaveta e obedecer a um chefe qualquer em vez de à lei!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Avaliação: ser bom não chega, é também preciso… Vamos discutir o que é preciso?

médico Atul Gawande ser bom não chega “Atul Gawande é médico-cirurgião (…). É professor catedrático de Cirurgia em Harvard. E, ainda, redactor e colunista. (…) Depois de ter escrito A mão que nos opera (2007), livro de divulgação, publicou, neste ano, Ser bom não chega (2009) com o mesmo teor [na editora Lua de Papel]. A propósito deste último livro, deu uma entrevista à revista Sábado”, cujo resumo se encontra no blogue De Rerum Natura, e na qual se pode ler a seguinte passagem:

“Pergunta: Interfere no trabalho de outros médicos?

Resposta: A toda a hora! Se vejo um colega a fazer um mau diagnóstico já com uma cirurgia marcada não lhe vou dizer ‘és um idiota! Olha o que estás a fazer!’, porque sei que posso ser eu o próximo idiota! O que faço é explicar-lhe que acho que deixámos passar alguma coisa e tentar resolver os problemas. (…) O problema dos erros não é dos maus médicos: o pior é que eles acontecem aos bons.”

Não poderão estas palavras aplicar-se aos professores? Na minha opinião, não só podem como devem! Creio que a análise e a discussão das palavras de Atul Gawande, bem como a sua generalização ao caso dos professores portugueses, permitiriam concluir que os professores devem ser de facto avaliados e que o modo como este governo tentou efectuar essa avaliação é muito mau e contraproducente! É como se o governo dissesse aos professores “vocês são uns idiotas” – esquecendo que os membros do governo podem ser os actuais idiotas! Ou seja: feito assim, é pior a emenda que o soneto.

Porém, e como é publicamente notório, a maioria dos professores (por razões diferentes, algumas delas certamente nobres e muito fundamentadas) revela pouca disponibilidade para essa análise e discussão. Têm aulas para preparar, testes para corrigir, livros para ler, relatórios chatos e inúteis que já deviam estar feitos ontem, software para instalar, filhos para cuidar, frustrações e tristezas para compensar, constipações para curar, etc.

O problema é que (por muito atendíveis que sejam essas razões), quando a maioria não está interessada num debate desse género, mesmo a abordagem construtiva recomendada por Atul Gawande pode ser confundida com a abordagem destrutiva do ‘és um idiota! Olha o que estás a fazer!’. Apesar de existirem outras causas, o facto de alguns professores (inclusivamente alguns que defendem a avaliação e são competentes) terem medo de ser avaliados tem certamente alguma relação com esse fenómeno.

Por isso, se as coisas continuarem assim, digam o que disserem o governo e os sindicatos (e alguns professores com voz própria, na TV, em jornais, em blogues, etc.) as coisas não mudarão na educação deste país – que precisa de cidadãos mais qualificados, ou seja, de melhor educação!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Coitados! Assim já não terão excelente nem se tornarão deputados titulares!

“Durante os quatro anos e meio desta legislatura, em que se realizaram 464 reuniões plenárias, os deputados deram mais de 6600 faltas.”

(Clique aqui para ler mais.)

Se as leis que os deputados aprovaram (não digo criaram, pois a grande maioria deles não criou nada e limitou-se a votar de acordo com as ordens recebidas) acerca dos professores (Estatuto da carreira Docente e Avaliação do Desempenho) lhes fossem aplicadas, o que sucederia aos seus mandatos e às suas carreiras políticas? E, já agora, o que sucederia às suas reformas?

Pois é: há dois pesos e duas medidas!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os exames nacionais

Os exames nacionais poderiam ser um instrumento precioso para avaliar os professores e, acima de tudo, a qualidade do sistema educativo, contudo, durante a presente legislatura, o minsitério da educação tudo fez para os descredibilizar. Utilizou-os como instrumento de propaganda numa lógica imediatista. Assim, o ministério preocupou-se em apresentar resultados a qualquer custo.

Reduziu de forma escandalosa o grau de dificuldade da grande maioria dos exames; através do Gave deu instruções aos professores correctores para serem benévolos na avaliação dos referidos exames. O resultado só poderia ser um: uma subida significativa nas médias nacionais. Membros do actual governo e do grupo parlamentar do P.S. vieram logo a seguir dizer que nas escolas se deu uma revolução extraordinária, que agora os professores já trabalham e que os alunos aprendem como nunca se viu. Com este procedimento, o ministério conseguiu desacreditar os exames, tornando-os um instrumento inútil para avaliar a qualidade das aprendizagens dos alunos, pois, ao terem um grau de dificuldade tão díspar torna-se inviável qualquer comparação entre os resultados de diferentes anos lectivos. Deste modo, perdeu um instrumento precioso para avaliar a qualidade do sistema educativo.

O que se passou com os exames nacionais mostra que este ministério sempre teve uma política facilitista ainda que sempre procurasse passar uma imagem de exigência e rigor. Esta política é uma política irresponsável e está a anos luz daquilo que o país necessita para vencer a batalha do desenvolvimento. O ministério ao proceder desta forma está a hipotecar o futuro do país, pois, não há desenvolvimento sem exigência nem esforço e o sinal enviado para os alunos é que os objectivos podem-se alcançar sem grande esforço.

F. Pinheiro

Como se chegou a este ponto?

“Fenprof exige suspensão da avaliação ou ausência de consequências para docentes”.

Nalguns comentários a essa notícia do jornal Público pode ler-se que os professores são todos uns incompetentes e preguiçosos, que querem trabalhar pouco e não ser avaliados. Trata-se, como é óbvio, de uma generalização grosseira.

Não se pode falar assim. Há cerca de 140 mil professores em Portugal e muitos (mas todos, infelizmente) são empenhados e competentes. Muitos querem ser realmente avaliados.

Seja como for, os professores (individualmente e em grupo, através das associações e sindicatos), deviam reflectir acerca dessa má opinião que muitas pessoas em Portugal têm dos professores. Como se chegou a este ponto?

Talvez essa reflexão pudesse contribuir para clarificar, e até resolver, alguns dos problema da educação, nomeadamente o problema da avaliação dos professores. Que não é, infelizmente, o nosso pior problema.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

É preciso reconhecer: isto não é eleitoralismo!

A ministra da educação e a sua equipa talvez não vivam no mesmo país que nós. Ou, então, vivem, mas estão tão convictos das suas ideias que dispensam a realidade. Senão repare nesta notícia:

“Aplicar exactamente o mesmo modelo de avaliação que esteve em vigor desde Janeiro. Ou seja, uma versão simplificada do que inicialmente foi aprovado pelo Governo. É esta, no essencial, a proposta que a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues tinha para anunciar aos sindicatos que hoje estiveram reunidos com a governante, em Lisboa.”

Seja como for, há um elogio que não devemos negar à equipa ministerial: não estão a fazer uma política eleitoralista! É que estas atordoadas custam votos!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O respeitinho é muito bonito – vocês foram avisados!

O jornal Público deu-nos hoje a conhecer esta vergonha:

Primeira escola a concluir avaliação vai penalizar docentes que não entregaram objectivos individuais.

Ou seja:

“A Escola Secundária de Odivelas terá sido a primeira escola do país a concluir o processo de avaliação de desempenho dos professores. E a primeira a tomar uma decisão sobre o que fazer com os professores que não entregaram os objectivos individuais: não avaliá-los. (…) Um professor que não seja avaliado não progride na carreira e é prejudicado do ponto de vista salarial.”

Há poucos meses atrás este governo falava de valorização da carreira docente, de reforçar o estatuto e a autoridade dos professores. Como não foi no dia 1 de Abril que disseram isso, conclui-se que…