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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pais criticam política educativa do governo

O jornal i falou com 45 pais e quase todos consideram desastrosa a prestação do governo na área da educação.

Dois exemplos:

«"O estatuto do aluno é um desastre e uma ofensa aos alunos cumpridores. Valores e atitudes como o trabalho, o mérito, a assiduidade, o comportamento, a aprendizagem, o conhecimento, foram postos em causa e de repente considerados antiquados e conservadores", diz Manuel Marques, economista nas Caldas da Rainha, pai de um aluno matriculado no 8º ano. "O estatuto do aluno privilegia o facilitismo e desresponsabiliza os alunos", acrescenta Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).»

«"Coube à professora da minha filha avaliar os outros professores da escola. Ela faltou três tardes inteiras. Se todos os professores tivessem de ser avaliados nos moldes em que se pretendia, teria de faltar 40 horas. Não é assim que uma avaliação deve ser feita", critica Paula Henriques.»

Como já foi dito em post anterior, Maria de Lurdes Rodrigues foi a ministra da barbárie.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Com a verdade nos tentas enganar, Governo

Segundo o jornal Público, “a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje que os resultados escolares do ano lectivo 2008/2009 revelam uma 'redução para metade do abandono e insucesso escolar' nos últimos anos.”

Esses números certamente que existem, escritos em papéis. Não é aí que reside a mentira. A mentira reside nos mecanismos que permitem chegar a esses números.

"Atribuo a medidas como os planos de recuperação, os cursos de educação e formação, generalização de currículos alternativos, o maior tempo de trabalho dos professores com os alunos, mas também a estratégias que foram desenvolvidas pelas escolas de ir buscar os alunos ao abandono", afirmou a ministra.

O que se passa é que esses planos de recuperação, cursos profissionalizantes e currículos alternativos são pouco mais do que formas de institucionalizar o facilitismo. Os alunos que deles “beneficiam” não aprendem realmente mais. Acontece apenas que os programas e os critérios de avaliação, devido a orientações emanadas do Ministérios de Educação, permitem que os alunos passem sem aprender. Dizer que se trata de passagens administrativas não é exagero.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Usar o computador é diferente de aprender

Segundo o jornal Público, “Todas as escolas estão ligadas à Internet a pelo menos 64 megabits por segundo e o rácio de alunos por computador passou de 18 para 5,6, entre 2005 e 2009, disse a ministra da Educação.”

Pelo que tenho verificado nas aulas esse facto não se traduz – para a maioria dos alunos - num acréscimo de curiosidade e interesse pelos conhecimentos disponibilizados, na Internet e nas aulas, ao nível da Matemática, da Física e Química, da Biologia, da Filosofia...

A utilização dos computadores, feita pela maioria dos alunos, restringe-se a actividades lúdicas que nada têm a ver com a procura do conhecimento ou a sua aplicação, a saber, jogos, redes sociais, etc.

E que tal se o Ministério da Educação fizesse um inquérito para, a partir de dados rigorosos, poder avaliar o impacto desta medida na aprendizagem, uma vez que a considerou prioritária?

O que seria realmente um motivo de orgulho é se existissem 5 ou 6 livros lidos por aluno.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Os alunos externos são extraterrestres ou são alunos portugueses?

A notícia do jornal Público começa assim: «Uma hecatombe. Todos os exames do ensino secundário mais concorridos tiveram média negativa na segunda fase, mostram os resultados divulgados hoje.»

Mas para os lúcidos responsáveis do ME não há motivos de preocupação: «O Ministério da Educação atribui esta queda ao facto de nesta fase o "peso dos alunos externos" ser maior e por isso pesar mais "na determinação do sentido positivo ou negativo da média geral".»

Claro que faz sentido analisar a influência dos alunos externos nas classificações. Mas já faz menos sentido o Ministério desresponsabilizar-se dos resultados dos alunos externos. Será que esses alunos nunca passaram pelos bancos das escolas portuguesas? E, já agora, porque é que há tantos alunos externos?

Seja como for, esse género de análises (além das diferenças entre alunos internos e externos, também faz sentido analisar as diferenças entre a 1ª fase e a 2ª fase, entre o actual ano lectivo e os anos anteriores, entre os resultados das diversas disciplinas, etc.) incide sobre aspectos particulares e a circunstância do seu resultado ser mais positivo ou mais negativo não anula este facto: se os exames não são escandalosamente fáceis os resultados são maus.

Pois é: a expressão “os lúcidos responsáveis do ME” que utilizei algumas linhas atrás era irónica!

(Relativamente a este tema escrevi também aqui, com direito a comentários anónimos dos defensores fanáticos do governo.)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O facilitismo na Educação é um tiro no pé!

Hoje observei uma situação na rua que, apesar da proximidade das férias e da ausência de actividades lectivas, me levou a fazer considerações semelhantes àquelas que Desidério Murcho faz no texto a seguir apresentado. A situação foi esta: um rapaz dos seus 15 anos encontrou não sei que folheto na rua e, depois de lhe dar uma vista de olhos, perguntou ao pai: “Quem é Eça de Queiroz?” O pai, vestido com a farda dos varredores municipais, respondeu: “Sei lá! Deve ser um político qualquer…”

tiro_no_pe O “facilitismo não teve o efeito que os partidários do “eduquês” dizem que teria: dar oportunidades aos estudantes culturalmente mais desfavorecidos. Em 30 anos de facilitismo educativo, os efeitos não se fizeram sentir: os cursos de maior prestígio e exigência cognitiva continuam a ser maioritariamente frequentados por “meninos finos”. Porquê? Porque o facilitismo, ao contrário do que os partidários do “eduquês” defendem (e têm toda a legitimidade para o defender, não é isso que está em causa), não favorece os meninos culturalmente carentes — pelo contrário, deixa-os ainda mais carentes. Apenas permite que não reprovem. Mas não reprovar sem saber é tão mau, ou pior, do que reprovar. O que era realmente necessário era fazer esses meninos ter aproveitamento cognitivo real, e não fingir que o têm por via do facilitismo.”

Este texto (publicado no blogue De Rerum Natura) data de 4 de Abril de 2007. A situação entretanto piorou e, é hoje mais óbvio que nunca, que o facilitismo na educação promove a desigualdade social e não a igualdade.

O facilitismo é um tiro no pé: permitir que os alunos frequentem a escola e tenham aproveitamento sem aprender realmente não beneficia esses alunos, prejudica-os. E ao país também.

O facilitismo prejudica o país porque, além de prejudicar os alunos culturalmente carenciados, destrói o valor do conhecimento e da educação.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Não pensem que é caso único!

Escola de Darque passou um aluno com nove negativas e garante que foi a melhor solução…

“Negativa a Língua Portuguesa, a História e a Matemática. Negativa também a Geografia, a Físico-Química, a Educação Visual... Feitas as contas, José, chamemos-lhe assim, teve nove negativas em 14 "cadeiras". Tem 15 anos, está no 8.º ano do ensino básico. E a escola passou-o.”

(Notícia do jornal Público. Clique aqui para ler mais.)

Parece mentira mas é verdade. E, como qualquer professor sabe, não é caso único. Há muitos outros casos em Portugal e em todos eles o resultado é semelhante: quando acabam as "ajudas" e o facilitismo, esses alunos reprovam.

De quem é a responsabilidade?

A responsbilidade é, em primeiro lugar, do Ministério da Educação, que faz leis que permitem e até incentivam essa permissividade.

Mas a responsabilidade é também dos professores. Dos professores que ocupam cargos nos órgãos dirigentes das escolas, pois são frequentemente mais papistas que o Papa e inventam regras específicas ainda mais permissivas (e muito diferentes de escola para escola, o que põe em causa o princípio constitucional da igualdade perante a lei) que a lei geral. E também de muitos (e não todos, claro) dos outros professores, que têm medo de ser rigorosos e exigentes na avaliação.

Os professores sabem que as coisas se passam assim e que os primeiros prejudicados são os alunos que se pretende, supostamente, ajudar. Mas as outras pessoas saberão?

domingo, 19 de julho de 2009

A exigência no ensino é uma coisa boa: a escola deve ser difícil!

Elogio da exigência no ensino, numa história genial de Isaac Asimov, contada pelo matemático Jorge Buescu. Aqui.

Elogio da exigência no ensino, do professor de medicina e neurocirurgião João Lobo Antunes. Aqui.

domingo, 5 de julho de 2009

Quem gosta de ler é certamente maluco!

Há dias observei na praia de Faro um grupo de adolescentes: rapazes e raparigas, todos manifestamente amigos. Depois de umas braçadas, uma das raparigas tirou da mochila um livro e começou a lê-lo. Um dos rapazes disse-lhe admirado: “Ainda a estudar? Pensava que tinhas feito os exames todos na 1ª fase”. A rapariga sorriu e respondeu: “Não estou a estudar. É um romance, olha… chama-se ‘O Fim do Sr. Y’ e é muito interessante!” O rapaz virou-se para os outros e exclamou: “Malta, a Yolanda não está boa da cabeça! Está a ler um livro na praia e ainda por cima está a gostar!”

Nota: não sei se o livro é bom ou mau, pois não o li.

Publiquei um post igual no blogue Dúvida Metódica.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Falta de ambiente

Ontem falei com três colegas (de escolas diferentes) que têm turmas dos Cursos Profissionais. Estão agora a dar as últimas aulas. Queixam-se que os alunos já não os ouvem, que vão às aulas de má vontade e que – como dizia o outro – o difícil é sentá-los. “Nem filmes querem ver, quanto mais ler e estudar! Entram na aula a perguntar se não podem sair mais cedo...”

E, embora não houvesse ninguém por perto, baixaram a voz para dizer: “Mas há colegas que ainda estão pior! Já nem aulas dão… deixam os alunos jogar computador e brincar com o telemóvel…Não conseguem controlá-los, percebes?” Depois de uma pausa a explicação: “Com o calor, com a escola deserta… já não há ambiente para dar aulas!”

É manifesto que não bastam o calor e os corredores desertos para explicar essa falta de “ambiente”. É preciso considerar também a crescente falta de autoridade dos professores e o modo absurdo como os Cursos Profissionais foram organizados. Voltarei ao assunto.