quinta-feira, 18 de agosto de 2011

BLUE MOON - ELLA FITZGERALD - LYRICS


Sustentabilidade da Segurança Social




Segundo notícia do jornal i, as reformas da banca são cerca do dobro das reformas da segurança social. A média das reformas no sector bancário é de 1182 euros, na segurança social é de 472 euros, a média das reformas dos servidores do estado é de 1254 euros brutos por mês. O banco de Portugal ainda é mais generoso, paga cerca de 1500 euros brutos por mês. É profundamente injusto que as diferenças sejam tão significativas, até porque algumas destas pessoas não poderão ter uma velhice digna. O sistema de cálculo das pensões é diferente nestes subsistemas o que explica, em parte, as diferenças. Mas não explica tudo. O sistema da segurança social acolhe um elevado número de pessoas que pouco descontaram durante o período contributivo, por isso, auferem penões muito baixas. Por outro lado, compreende muitas pessoas com reduzidas qualificações profissinais que levou a que descontassem pouco para o sistema da segurança social.

A notícia não deixa de ser sensacionalista. Os jornalistas deveriam procurar esclarecer as razões da diferença e não constatar apenas a existência da mesma. No entanto, abordam um aspecto essencial que se prende com a sustentabilidade da segurança social. No artigo é referido que a transferência do fundo de pensões dos bancos para a segurança social, no futuro, irá pôr em causa a sustentabilidade da mesma.

O governo recentemente empossado para cumprir a meta do défice acordado vai recorrer a receitas extraordinárias. Fala-se na integração dos fundos de pensões do sistema bancário na segurança social. Esta medida resolve um problema de curto prazo, mas cria um problema colossal a longo prazo. O estado ao transferir os fundos do sistema bancário para a segurança social transfere também uma série de encargos futuros que põem em causa a sua sustentabilidade. No fundo, continuamos a adiar a resolução de problemas até que o sistema estoire.

http://www.ionline.pt/conteudo/143743-reforma-na-banca-e-o-dobro-da-seguranca-social

F. Pinheiro



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Janis Joplin - Summertime - Woodstock

Faz hoje 42 anos que se iniciou o lendário festival Woodstock. Janis Joplin esteve presente. Há nesta voz e nesta canção um misto de amargura e mistério.

F. Pinheiro



A Tecnologia e a Aprendizagem

A escolha do professor Nuno Crato para ministro da educação colheu grande aceitação entre a generalidade dos professores. Os primeiros dias à frente do ministério não desiludiram. Foi apresentando algumas medidas que revelam lucidez e capacidade de identificar os problemas das escolas. Agora falta saber se tem capacidade para aplicar algumas das medidas que sempre defendeu. O aumento do número de alunos de 24 para 26 no ensino básico não irá contribuir, certamente, para a melhorar a qualidade de ensino. Os constrangimentos orçamentais justificam muita coisa mas não podem justificar tudo. Não creio que acredite na bondade da medida, por isso, ou estamos perante falta de peso político do ministro, ou então, a necessidade de conter as despesas do ministério falou mais alto. Mas, se os constrangimentos orçamentais são tão severos não se percebe a razão do aumento da carga horária nas disciplinas de Português e Matemática, pois, nestas disciplinas bem como em muitas outras, os alunos precisam sobretudo é de se empenhar bem mais. Para os alunos que não querem estudar e que não fazem qualquer esforço o aumento da carga horária nas referidas disciplinas não vai resolver qualquer problema. Muitos alunos precisam é de estudar bem mais. Precisam de perceber que a escola não é um local de diversão, mas, antes, um local de trabalho. Precisam também de perceber que o trabalho realizado na escola deve ser consolidado em casa através de um estudo individual.

Hoje, em Gouveia, o ministro referiu que mais importante que a tecnologia (computadores) é o empenho de professores, alunos e pais. Aliás, a distribuição de computadores pela generalidade dos alunos foi uma medida errada. Tanto mais errada quanto mais jovens foram os destinatários . Muitos alunos do primeiro ciclo nunca desenvolveram, convenientemente, as competências da escrita por falta de treino. Muito cedo, começaram a utilizar o computador para escreverem, o que levou a que não conseguissem apresentar uma caligrafia aceitável. As competências da escrita conseguem-se com muita prática. Esta desenvolve a função. Além disso, foram realizados estudos que mostraram que a exposição excessiva face aos computadores prejudica claramente a memória e a capacidade de concentração dos alunos, por isso, é importante que os computadores e a tecnologia associada passem a ser vistos como um instrumento e não como um fim em si mesmo.

F. Pinheiro

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=501533

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Beethoven - Sonata ao Luar (Moonlight Sonata)

Noites quentes de Verão. As pessoas saem de casa e deambulam pelas ruas. A lua cheia enche os céus e ilumina os quintais. A natureza respira serenidade. Esta música de Beethoven exibe a serenidade de uma noite de lua cheia.

F. Pinheiro



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Jimi Hendrix - Hey Joe [Live]


Cenários Apocalípticos

A violência espalha-se pelas diferentes cidades de Inglaterra a uma velocidade estonteante. Nas principais cidades instalou-se o caos. A violência adquiriu contornos preocupantes nas cidades de Londres, Birmingham, Manchester, etc. As forças de segurança estão a dar sinais de serem incapazes de resolver o problema. Aliás, o testemunho de vários polícias vai no sentido de nunca se terem deparado com nada assim. Em várias cidades, as populações organizam-se para defender os seus bens. O aparecimento de mílicias populares acontece porque o estado é incapaz de garantir a sua segurança e dos seus bens, contudo, esta situação é preocupante, pois, estas pessoas não têm formação para lidar com os problemas que vão surgindo. Neste caso, estamos perante uma degradação do estado de direito, pois, este é incapaz de manter a ordem pública.

O fenómeno tem sido explicado por psicólogos sociólogos antropólogos, etc. As explicações são bastante variadas. Ouve-se um pouco de tudo. Para alguns, a razão da violência prende-se com a crise e com as medidas de austeridade implementadas pelo governo conservador. Para outros, deve-se à falta de valores e ao desrespeito pelos outros. Outros falam mesmo na globalização e no sistema liberal como os grandes culpados por aquilo que está a acontecer. Certamente que as razões podem ser várias, mas, há nestes comportamentos algo de absurdo e aterrador. Nada justifica esta violência gratuita. Em muitos casos, os criminosos não retiram sequer qualquer proveito da destruição que provocam. Possivelmente, rejubilam com o espectáculo da destruição. Alimentam-se do horror. Tiram prazer do caos. É aquilo a que podemos chamar o verdadeiro mal.

Algo profundamente perturbador é o facto de a turba ser composta maioritariamente por adolescentes e até por crianças. Como é possível que estes jovens manifestem um profundo desrespeito pelos outros seres humanos?Talvez, em parte, a razão para estes comportamentos esteja na educação recebida nas escolas. Quem conhece o funcionamento das escolas inglesas sabe quão difícil é castigar uma criança ou um adolescente. Como raramente são castigados o sentimento de impunidade vai criando raízes. Os limites ao seu comportamento são algo difusos, por isso, a tendência para abusar é maior. A situação existente em Portugal e em vários países europeus não é muito diferente, por isso, é possível, por um efeito mimético, que estes comportamentos se repitam noutros países.

F. Pinheiro




domingo, 7 de agosto de 2011

P - Também são mais violentos e indisciplinados...

R -"Hoje, os alunos não vão buscar nada à escola que não haja em casa. A escola tem de competir com a internet, a Playstation, tudo e mais alguma coisa que eles têm. Há esse desafio enorme de se tornar maois atractiva e conseguir que os alunos não vão lá por obrigação. É preciso usar os recursos que temos e mais imaginação."

Excerto do Expresso de 06-08-2011


Neste excerto, o entrevistado não responde de forma objectiva à questão colocada. A meu ver a resposta é algo despropositada, mas revela uma certa ideologia que tem tido consequências muito nefastas nas escolas. A ideia de que os alunos não vão buscar nada à escola que não tenham em casa é uma ideia aterradora. Então, para que servem as escolas? A ideia de que a escola não acrescenta nada à formação proporcionada pelos pais é um profundo disparate. Se fosse verdade, então, melhor seria encerrar as escolas, pois, com essa medida poupar-se-ía muito dinheiro. Talvez, o estado português equilibrasse as contas.

Depois, há aquela ideia de que a escola tem que ser atractiva, que todas as actividades têm que ser reguladas pelo princípio do prazer. A ideia de que os alunos devem ir para a escola por prazer e nunca por obrigação não faz qualquer sentido. A escola não tem que ser um lugar enfadonho, mas também não podemos acreditar, ingenuamente, que a escola é um lugar onde todas as aprendizagens podem ser realizadas por prazer.

F. Pinheiro

Gaivota-Sónia Tavares

sábado, 6 de agosto de 2011

Talking Heads Road To Nowhere Lyrics

Fim das Novas Oportunidades?

Segundo notícia de ontem do Jornal de Negócios foi demitido o responsável máximo pela gestão dos cursos das Novas Oportunidades, Luís Capucha. Uma boa notícia. As Novas Oportunidades serviram para distribuir diplomas com a finalidade de enfeitar as estatísticas e para promover uma série de negócios com empresas privadas e centros de formação. Criaram nas pessoas a ideia de que tudo se pode conseguir sem esforço, trabalho e dedicação. Esta ideia foi-se enraizando na sociedade portuguesa com consequências desastrosas para o desenvolvimento do país. Esperemos que as coisas mudem e que se procure um novo modelo de ensino alternativo ajustado à população a que se dirige.

F. Pinheiro



http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=500253

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

É preciso avaliar as Novas Oportunidades - DN

As novas oportunidades serviram muita gente, excepto os alunos. Serviram para muitas empresas darem cursos sem qualquer qualidade e terem receitas acrescidas. Mas, houve também muitos professores que, deste modo, tiveram a oportunidade de leccionar. O lado mais sinistro das novas oportunidades prende-se com a exisência de currículos pobres e incompreensíveis, com a ausência de rigor e pressões várias para passar a generalidade dos alunos, ou seja, as novas oportunidades serviram para enfeitar as estatísticas e enganar todos aqueles que procuraram as novas oportunidades com o objectivo de aprenderem alguma coisa.

Na notícia do Diário de Notícias, os partidos da esquerda mantêm-se no mesmo registo: os exames não avaliam correctamente as aprendizagens, acentuam as desigualdades sociais e, por fim, são um sinal de desconfiança para com o trabalho dos professores. Haja paciência. Estes representantes da esquerda caviar vê-se que nunca deram aulas, mas já estão contaminados pelo eduquês. Depois, é sempre aquela ladainha de que estão a defender os desfavorecidos, como se fosse possível defender os pobres mantendo-os na ignorância. Quem já deu aulas em disciplinas sujeitas a exames sabe que os alunos têm uma atitude muito mais responsável e uma maior abertura à realização de aprendizagens, por isso, a existência de exames, desde que bem formulados e adequados à idade dos alunos, pode contribuir decisavamente para a melhoria da qualidade do ensino.

F. Pinheiro

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A venda de Roberto

O Benfica conseguiu vender o seu guarda redes por 8,6 milhões de euros. É obra. Eu não percebo gande coisa de futebol, mas, parece-me que se notabilizou mais pelos frangos que deixou entrar do que pelas defesas que efectuou. Sempre foi considerado pela crítica como um guarda redes medíocre, por isso, ter sido vendido por 8,6 milhões é um feito espantoso. Segundo os jornais, o responsável pela venda foi o empresário Jorge Mendes que se tem destacado na realização de grandes negócios.

A situação económica de Portugal é extremamente grave. O estado e as famílias andaram durante anos a endividarem-se de forma alegre e despreocupada, pensando que nunca teriam de pagar as dívidas. Segundo Daniel Bessa, durante o governo de Sócrates, o estado português endividou-se de forma colossal (à razão de um milhão de euros por hora). O resultado desta inconsciência está a ver-se e já se sente. O país tornou-se insolvente e daí a necessidade do pedido de ajuda. As condições impostas pela troika foram draconianas. Entre essas condições está a imposição de vender grande parte das empresas públicas para abater na dívida. É vida. Vendem-se os anéis para, talvez, salvar os dedos. Mas, no meio desta desgraça toda, há, aqui, uma janela de oportunidade. Na minha modesta opinião, o estado deveria contratar o senhor Jorge Mendes para vender estas empresas, pois, este senhor já deu mostras de que sabe vender. Se ele conseguiu vender o Roberto por este valor, certamente que também conseguirá vender muito bem as empresas do estado. As minhas expectativas são bastante elevadas, penso que com o resultado da venda conseguiremos pagar todas as dívidas e ainda ficar com alguns trocos para tremoços.






F. Pinheiro

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ministro da Educação no Jornal de Domingo da TVI

Vale a pena ver e ouvir a pequena entrevista de Nuno Crato na TVI.


sábado, 30 de julho de 2011

Música

É uma das minhas cantoras preferidas. Tem uma voz encantadora e misteriosa, óptima para o tempo de férias.



F. Pinheiro

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Avaliação de professores

As propostas apresentadas pelo ministro da educação para avaliar os professores, veiculadas pela comunicação social, mostram bom senso e poderão trazer estabilidade às escolas. É certo que vai haver sempre quem se oponha, pois não é possível encontrar um modelo de avaliação que agrade a todos.

A promessa de desburocratizar o processo é positiva. Esperemos que não se fiquem pelas intenções. O anterior modelo de avaliação era excessivamente burocrático, o que se traduzia na realização de uma série de tarefas que não eram vantajosas nem para alunos nem para professores.

A ideia de tornar os ciclos de avaliação mais longos e coincidentes com a duração dos escalões da carreira docente é uma boa medida, pois, evita que todos os professores sejam avaliados ao mesmo tempo tarefa que é difícil de executar. Por outro lado, permite que os professores dediquem mais tempo àquilo que é essencial na tarefa do professor- preparar aulas, fazer leituras, dominar em termos científicos as matérias que leccionam, etc.

Por fim, a medida que julgo mais crucial diz respeito à observação de aulas. Garantir que a observação de aulas será realizada por professores da mesma área disciplinar e exteriores à escola é dar um passo no caminho certo da avaliação de professores. Com esta medida, reconhece-se a importância da componente científica na avaliação de professores. O anterior modelo permitia que os relatores fossem avaliados, quando requeriam observação de aulas, por profesores de outras áreas disciplinares. Esta situação configurava um profundo desprezo pela capacidade científica/pedagógica do professor avaliado. É com este tipo de medidas que se combate o eduquês. Por outro lado, a observação de aulas por professores exernos à escola permite, ainda, conferir uma maior objectividade ao processo.

F. Pinheiro



domingo, 17 de julho de 2011

Contra o Eduquês

"Ficámos também a saber , analisando os resultados médios por idade, que a 'repetência' não contribui para melhorar o desempenho dos alunos."
Ana Benavente, Público, 28 de Dezembro de 2000

A ideia de que a repetência é nociva para os alunos e para a educação foi uma ideia que se enraizou, progressivamente, no ministério da educação, após o 25 de Abril. A análise da documentação que os defensores do eduquês foram produzindo, desde o 25 de Abril, foi sempre no sentido de condenar a reprovação dos alunos. Os argumentos aduzidos foram variados. Para alguns, a reprovação dos alunos era perniciosa, pois contribuía para a degradação da sua auto-estima. Nas alguns casos, poderia contribuir para a formação de pessoas pouco equilibradas em termos emocionais. Outros afrirmavam que as reprovações eram sobretudo penalizadoras para as classes mais desfavorecidas. Escudados em pressupostos desta natureza, os ideólogos do ministério da educação foram criando legislação para dificultar as reprovações. Daí que, actualmente, é muito mais fácil passar um aluno sem saber nada do que reprová-lo.

No ensino básico a reprovação dos alunos torna-se ainda mais difícil. Se o aluno tem dificuldades, então, adapta-se o currículo de modo a que ele consiga passar de ano. Adaptar o currículo é uma forma eufemística de dizer exija-se menos do aluno. Por exemplo, se o aluno não consegue contar até 200, então, elabora-se um plano de recuperação em que o aluno apenas precise de contar até 10. Assim, os alunos foram interiorizando a ideia de que iriam passar de ano sem terem que fazer grande esforço. Esta cultura de facilitismo é a principal responsável pelos baixos resultados conseguidos pelos alunos nos exames nacionais.

A ideia de que as reprovações não servem para melhorar o desempenho dos alunos nem sempre é verdadeira. Há alunos que após terem reprovado melhoraram claramente o seu desempenho, desta forma, para alguns as reprovações são benéficas, pois, despertam os alunos para a necessidade de estudar se querem passar de ano. Por outro lado, nas disciplinas em que as aprendizagens são sequenciais como acontece, por exemplo, na matemática, transitar de ano sem dominar as matérias leccionadas durante vários anos irá ter consequências devastadoras, pois, a dada altura serão incapazes de superar as lacunas acumuladas. Esta escola facilitista pretensamente defensora das classes mais desfavorecidas tem contribuído para acentuar as desigualdades sociais em vez de as corrigir. As crianças e os jovens oriundos das famílias desfavorecidas são as principais vítimas da escola inclusiva que convive mal com a cultura da exigência e da responsabilidade.

F. Pinheiro



domingo, 10 de julho de 2011

Encerramento de escolas

O novo ministro da educação fez bem em repensar o processo em curso de encerramento de escolas. Entre as escolas que estava previsto encerrarem nem todas devem encerrar. O critério encontrado para proceder ao encerramento das escolas era apenas o número de alunos. Encerrar uma escola com 15 ou 20 alunos num grande centro não é a mesma coisa que fazê-lo numa zona do interior onde as distâncias que os alunos têm que percorrer são bem maiores. Há crianças de algumas aldeias do interior que têm que percorrer mais de 30 Km para chegarem ao seu centro escolar. Esta situação reflecte-se no seu rendimento escolar, pois, o transporte chega a demorar mais de uma hora, por estradas sinuosas com curvas e contracurvas. Assim, as crianças têm que se levantar muito cedo, de Inverno chegam a levantar-se mesmo de noite. Por vezes, algumas crianças chegam mesmo a vomitar durante a viagem. Esta situação não favorece a realização de aprendizagens.
Mesmo em termos económicos não sei se esta opção será muito vantajosa. O ministério da educação ao concentrar os alunos nos grandes agrupamentos poupa algum dinheiro, mas o transporte por parte das autarquias também custa dinheiro, logo não é líquido que o estado consiga realizar grandes poupanças com o encerramento de algumas destas escolas.

F. Pinheiro

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma verdadeira aula aberta...

...sobre pensamento único, preconceito, interculturalidade e outros temas similares

Um pouco longa mas a vida é só é curta para quem não a aproveita (e sempre dura menos que os 90 minutos de um aula).

Com opção de legendas em português




Nossas vidas, nossas culturas são compostas de muitas histórias sobrepostas. A escritora Chimamanda Adichie conta a história de como ela encontrou sua autêntica voz cultural - e adverte-nos que se ouvimos somente uma única história sobre uma outra pessoa ou país, corremos o risco de gerar grandes mal-entendidos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Valha-nos Sto Onofre? (graças a Deus que sou ateu)

Depois de um dia assim, pergunto-me se amanhã é dia de comemorar alguma coisa...mas depois, lemos notícias como esta e percebemos que a questão não é essa.

Felizmente ainda há imprescindíveis em toda a parte.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

5 de Outubro

Dia Mundial do Professor e Aniversário da Implantação da República em Portugal

Faz hoje 3 anos que se realizou a primeira enorme manifestação de professores (20 mil!).
Foi a uma quinta feira. No dia seguinte entrei às 8.30 e fartei-me de maldizer quem dizia: "Manifestações à sexta? Fim de semana comprido é o que é!!". Tinha feito 8 horas de viagens, saído de Faro às 8.00 da manhã e regressado depois da meia noite. Só "acordei" lá para o meio da manhã (entretanto já tinha dado 2 aulas...). Portugal não é só Lisboa... .

A partir desse dia, a história é conhecida: mais duas manifestações históricas, apareceram inúmeros movimentos e associações de professores, utilizou-se a net como nunca se tinha utilizado antes em Portugal. Criou-se um movimento de Professores raro em qualquer parte do Globo.

Em termos legislativos nada mudou (até piorou) mas, e em termos políticos? Estão as coisas diferentes ou glosando Shakespeare "Muito Barulho Por (para) Nada"?

Ao mesmo tempo é o aniversário da República em Portugal. Sendo um dos regimes mais democráticos e modernos jamais inventados, só se desenvolve na sua plenitude com cidadão atentos, críticos, activos e participativos.

Estaremos nós à altura das responsabilidades?

domingo, 27 de setembro de 2009

A exigência na educação como condição de possibilidade da mobilidade social


É a Escola exigente que inclui e que promove a ascensão social. Largadas numa Escola "fácil", com docentes desautorizados e sem sombra de prestígio social, às crianças que não têm mais nenhuma alternativa, nunca lhes serão facultados os meios para irem suprindo as insuficiências de que padecem logo à partida. As suas desvantagens de começo manter-se-ão, porque as crianças mais favorecidas (em muito menor número) poderão sempre ir colmatando as falhas da Escola pública por outros meios e noutras fontes. São precisamente as crianças que mais necessitam da Escola, aquelas que são, praticamente, lá deixadas à sua sorte.
Nos últimos quatro anos, acentuou-se brutalmente a tendência da Escola se ir transformando num depósito indiferenciado de crianças (e de adolescentes), que se querem mantidas no seu interior, em muitos, em demasiados casos, vegetando na irrelevância social donde a Escola não as consegue libertar.
À força de se querer fazer da Escola aquilo que ela não é nem pode ser, a Escola acaba por não ser nada: nem o que devia, nem o que, erradamente, lhe exigem que seja.

[Também aqui.]

A visão "socrática" da Escola


Há qualquer coisa de tremendamente errado quando um primeiro-ministro se orgulha de deixar uma Escola com, citando-o, 'menos professores, mais alunos e maior sucesso'. (Como aqui e aqui.) Só alguém que não pensa nada sobre a Escola e não sabe do que fala pode dizer uma coisa daquelas. Aquela resplandecente trindade nunca pode ser o fito de uma política escolar. Para além de ser apenas um estribilho vazio que nada diz (como Sócrates gosta), é uma pretensa descrição que passa completamente ao largo do que deve ser a Escola. Aquele entusiasmo despropositado do primeiro-ministro corresponde ao sonho de um burocrata louco.

É arrepiante pensar que alguém que parece não ter uma única ideia sobre a Escola 'se tenha empenhado pessoalmente' nas medidas do ministério da Educação e que algumas destas 'lhe sejam muito caras', como disse a ministra ao Diário de Notícias do dia 26 de Julho. [Afirmações publicadas apenas na edição em papel.] Este acompanhamento tão próximo ajuda a explicar tanto disparate e tanta crispação inútil que foram perpetrados na Escola ao longo destes quatro anos.

'Menos professores'. É verdade que a Escola não existe para empregar professores ou candidatos a tal. Ela existe para os alunos - não alunos inertes e passivos como Sócrates/Lurdes Rodrigues os concebem, mas alunos com autonomia responsabilizante na sua própria emancipação. (E, para isso, a Escola deveria ser um meio fundamental - este governo, precisamente, degradou essa "função" da Escola.) No entanto, por si só, "ter menos (ou "ter mais") professores" nunca pode ser um objectivo. Primeiro, há que pensar que papel deve ser o do professor na Escola (e, pressuposto a isso, saber-se o que se pretende que a Escola seja). Só depois se determina, de acordo com as necessidades já estabelecidas, se há docentes "a mais" ou "a menos". (E mesmo esta formulação resulta ridícula.) Dizer-se que há professores "a mais" ou "a menos" é o mesmo que não dizer nada. É que não é um dado natural haver "a mais" ou "a menos" - essa apreciação quantitativa depende da fixação das necessidades de recursos humanos do sistema e elas são fixadas politicamente. Há sempre uma opção política prévia a essas considerações. Estamos perante posições políticas e não dados "técnicos" incontornáveis.

135 000 docentes é, à primeira vista, um número impressionante. Mas, se pensarmos que estão divididos por doze anos de escolaridade, por dezenas de disciplinas e por um milhão e quinhentos mil alunos (número daqui), isto é, se não olharmos para '135 000' em abstracto, como o primeiro-ministro faz, as coisas não parecem já tão simples. São "muitos" ou são "poucos"?

Teoricamente, podemos sempre conceber ("socraticamente") um sistema escolar público ainda com menos docentes (porque não 100 000, 80 000?), ainda com mais alunos e ainda com mais sucesso. Por exemplo, reduzindo drasticamente o número de disciplinas (aplicando a falácia das "competências horizontais", com um mesmo docente leccionando disciplinas diversas consideradas afins pelos "pensadores" de serviço) ou determinando o aumento do número mínimo de alunos por turma. Para o patriótico desiderato do "sucesso", bastaria reforçar toda uma bateria de processos burocráticos e mecanismos avaliativos que induzem, que encorajam artificialmente o "sucesso" nas classificações. É possível? Claro que sim. Uma autêntica "utopia prometida" que poria Sócrates/Lurdes Rodrigues/Valter Lemos com os olhos em alvo. Mas... estaria salvaguardada a qualidade dessa Escola?... E ainda seria verdadeiramente uma Escola?... Muita gente se parece ter esquecido (o governo e também os seus aliados objectivos à direita, incapazes de verem objectos à distância) que a preocupação fundamental, aquilo que nunca se deve perder de vista numa política de ensino da república é a qualidade da Escola - isso, que não exclui de todo a boa gestão dos recursos (que são escassos), tem de estar assegurado.

A tendência nociva já vem de trás, mas graças a estes quatro anos de governação Sócrates (uma governação que não pensa nem vê), a Escola portuguesa tornou-se inóspita para aqueles que poderiam ser bons alunos. Esta Escola "socrática" não os deixa. Sufoca-os desde os primeiros anos e vai fazendo-os vegetar na mediocridade ao longo do percurso. Todos os sinais são dados para que os rapazes e as raparigas, desde o início, não vejam o esforço como meritório. E não têm outra Escola que os reconheça. Gradualmente, ir-se-ão submetendo à rasoira. No fim, lá estará o "sucesso" "socrático" garantido.

[Também aqui.]

domingo, 13 de setembro de 2009

You 're coming along!...

(1983, em Munique)



School

I can see you in the morning when you go to school
Don't forget your books, you know you've got to learn the golden rule,
Teacher tells you stop your play and get on with your work
And be like Johnnie - too-good, well don't you know he never shirks
- he's coming along!

After school is over you're playing in the park
Don't be out too late, don't let it get too dark
They tell you not to hang around and learn what life's about
And grow up just like them - won't you let it work it out
- and you're full of doubt

Don't do this and don't do that
What are they trying to do?
- make a good boy of you
Do they know where it's at?
Don't criticise, they're old and wise
Do as they tell you to
Don't want the devil to
Come and put out your eyes

Maybe I'm mistaken expecting you to fight
Or maybe I'm just crazy, I don't know wrong from right
But while I am still living, I've just got this to say
It's always up to you if you want to be that
Want to see that
Want to see that way
- you're coming along!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Remar contra a maré

Remar contra a maré é cansativo por natureza. Remar contra a maré sozinho cansa ainda mais. E é inútil.

Pescador Desconocido no Chile

Fotografia de Juan Soriano, encontrada aqui.

Pais criticam política educativa do governo

O jornal i falou com 45 pais e quase todos consideram desastrosa a prestação do governo na área da educação.

Dois exemplos:

«"O estatuto do aluno é um desastre e uma ofensa aos alunos cumpridores. Valores e atitudes como o trabalho, o mérito, a assiduidade, o comportamento, a aprendizagem, o conhecimento, foram postos em causa e de repente considerados antiquados e conservadores", diz Manuel Marques, economista nas Caldas da Rainha, pai de um aluno matriculado no 8º ano. "O estatuto do aluno privilegia o facilitismo e desresponsabiliza os alunos", acrescenta Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).»

«"Coube à professora da minha filha avaliar os outros professores da escola. Ela faltou três tardes inteiras. Se todos os professores tivessem de ser avaliados nos moldes em que se pretendia, teria de faltar 40 horas. Não é assim que uma avaliação deve ser feita", critica Paula Henriques.»

Como já foi dito em post anterior, Maria de Lurdes Rodrigues foi a ministra da barbárie.

sábado, 5 de setembro de 2009

Mentir com os números: 9 alunos para 1 professor

A quantificação costuma significar rigor e precisão. Por isso é que a Matemática (com esse nome ou com outro: Cálculo, Estatística, etc.) faz parte do plano de estudos da generalidade dos cursos universitários, mesmo na área das Ciências Sociais.

Claro que isso não impede que se digam grandes mentiras com os números. Alguns políticos fizeram disso uma verdadeira arte, dando razão a Andrew Lang: "Ele usa a estatística como os bêbados usam os postes dos candeeiros: mais para apoio do que para iluminação". bebâdo e estatística

Um exemplo de como se pode mentir com os números é a célebre média nacional de 9 alunos para 1 professor, que os responsáveis do Ministério da Educação tanto gostam de repetir – para defender que não é preciso diminuir o número de alunos por turma. Infelizmente, esquecem sempre de referir que ao fazer essas contas incluíram os professores que não têm nenhum aluno (como os Presidentes do CE e os responsáveis pelas bibliotecas escolares) e os professores que só têm uma turma ou duas. Essa média não significa portanto que a maior parte das turmas não sejam demasiado grandes e não haja muitos professores com cento e tal de alunos.

Por exemplo: este ano terei 110 alunos e no ano passado tive 119. Mas comparado com o professor Luís Palma de Jesus sou um privilegiado. Este, no blogue Geografismos, conta que no ano lectivo de 2007/2008 teve 277 alunos. 277!

(Imagem e citação tiradas daqui.)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A arte do eufemismo

Quando Sócrates, no comício (aquilo não foi de todo uma entrevista) que deu na RTP ontem à noite, admitiu que "talvez não tivesse havido suficiente delicadeza no tratamento com os professores" proferiu um enorme eufemismo.

Mas a ministra da Educação conseguiu ir mais longe na arte do eufemismo ao descrever o que se passou nos últimos quatro anos com a expressão “problemas de comunicação entre Governo e professores”.

E, segundo se pode ler aqui, claro que “não viu uma crítica ao seu trabalho nas declarações do primeiro-ministro”. Suponho que o facto de últimos tempos se sucederem as declarações de personalidades do PS com críticas à sua acção, lamentando inclusivamente que Sócrates não a tivesse afastado, não deve passar de um “problema de comunicação”.

Não há dúvida que a falta de franqueza da ministra ombreia com a sua falta de habilidade política.

A relatividade pedagógica do tempo

relatividade temporal na escola

Acabaram as férias. Seguem-se duas semanas de reuniões, planificações e projectos disto e daquilo. Depois virá o melhor da vida de professor (ok, exceptuando as férias): as aulas. Todavia, suspeito que a maioria dos novos alunos, que vão entrar sala dentro a partir do dia 14 de Setembro, também perfilha a opinião de que o tempo é relativo.

Cartoon de Randy Glasbergen, retirado do blogue Today’s Cartoon.